Quarta-feira, Janeiro 26, 2005

Ponte de Lima, breves

Hoje em todos os jornais se podia ler que a Câmara de Ponte de Lima, devido ao incumprimento do governo, iria avançar sozinha para a construção da Casa da Musica. Nada mais legitimo que o protesto pelo incumprimento de um protocolo. Atendendo porem a que o protocolo foi assinado em 2000, entre o Centro de Cultura Musical de Ponte de Lima e a Direcção-Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano, estranha-se que só agora passados 5 anos se venha criticar o incumprimento por parte do Estado. Bem sei que há prazos a cumprir, mas também sabemos que estamos em campanha eleitoral e há coisas que se não esquece...

A junta de freguesia da vila de Santa Marinha de Arcozelo, segundo o semanário Alto Minho, encontra-se em "guerra aberta" com o município limiano. Em causa estão uns mecos perto do Arnado que impedem a circulação automóvel até à igreja de Santo António. Parece razoável este sentimento da junta de freguesia, pois como todos podem constatar em dias úteis este impedimento produz grandes transtornos a todos os que trabalham na vila de Ponte de Lima e não querem levar o seu automóvel até esta preferindo deixar na Além da Ponte. Por outro lado nos domingos é grande o transtorno para os fiéis idosos que se deslocam com dificuldade até à dita igreja.

O monte da Madalena começa a ser desbravado. É sem qualquer remorso que o primeiro arranjo florestal do concelho começa a ser trocado pelo já florescente "arranjo" do betão. É triste ver como a então altiva Madalena se encontra nos dias de hoje. A proliferação não controlada de mimosas, o constante recuo das árvores de folha caduca e a pressão imobiliária, acabarão por destruir aquilo por que tantos lutaram para que fosse um dos melhores recantos de Ponte de Lima.

Quinta-feira, Janeiro 20, 2005

A comunicação social limiana

Se alguém quiser estar informado sobre o que se passa em Ponte de Lima ou na região e vive em Ponte de Lima tem alguma sorte. Ponte de Lima tem no seu concelho dois órgãos de informação, ROL e jornal Alto Minho, que se batem em pé de igualdade com outros jornais da região e outro que tenta não sair desse "comboio" o jornal Cardeal Saraiva. Depois de historicamente esta terra limiana ser um berço para vários órgãos de informação, vinha, nos últimos tempos, a assistir a uma perda no campo da informação. Há no entanto um regresso ao passado, um regresso que parece saudável.

A Rádio Ondas do Lima sendo uma rádio regional generalista tem dois bons blocos de informação que são acompanhados por um flash do dia anterior por volta das 7 da manha. Os blocos são bastante interessantes e abrangentes, mérito dos seus profissionais. Penso no entanto, que estes blocos poderiam ser retransmitidos no horário da noite, talvez por volta das 22 horas. Um horário que não estando ocupado por outros programas abrangia um maior número de ouvintes que já perto do descanso não se importariam de ouvir as notícias da sua terra. A ROL poderia, ainda, aumentar no tempo de antena da sua grelha, os programas de debate e opinião. Bem sei que esta é uma rádio generalista mas, e o sábado de manha é um exemplo do sucesso, o público agradecia. Claro que isso implicaria maior número de colaboradores mas se olharmos para realidades bem próximas vemos que a nível local ainda manda a carolice. Já agora, porque não disponibilizar as notícias na página na Internet?

O Jornal Alto Minho tem-se vindo a impor nos semanários regionais e locais. Apostando em vencer, aparentemente não tem medo de evoluir, não se deixando amarrar nem pelo passado nem por outros factores conhecidos por todos. Realmente, dos semanários limianos, no campo das opiniões, este é o de maior abrangência ideológica (de momento não encontro outra palavra). No mesmo jornal podemos ler opiniões que se contradizem no salutar debate democrático. O grafismo e a disposição das notícias têm vindo a melhorar com o tempo. Urge a presença deste semanário no mundo da Internet

O histórico Cardeal Saraiva de vez em quando parece despertar para logo voltar ao seu "rame rame", há quanto tempo a página na Internet está em construção? Tem, no entanto, nos últimos tempos, feito um esforço de modernização e realmente está mais agradável de ler. É imprescindível que a pluralidade de ideias volte ao jornal. Novos colunistas que ombreassem com os históricos seriam desejáveis de maneira a que o debate de ideias fosse uma vertente reconhecida deste histórico jornal que ostenta um nome de uma das maiores figuras limianas de sempre.

Quarta-feira, Janeiro 19, 2005

No país em 1871, em Ponte de Lima em 2005

"Os cafés são silenciosos, tristes. Meio-deitados para cima das mesas, os homens tomam o café a pequenos golos, ou fumam calados. A conversação extinguiu-se. Ninguém possui ideias originais próprias. Há quatro ou cinco frases feitas de há muito, que se repetem. Depois boceja-se. Quatro pessoas reúnem-se: passados cinco minutos, ditas as trivialidades, o pensamento de cada um dos conversadores é poder livrar-se dos outros tês.
Perdeu-se o sentimento de cidade e de pátria: o cidadão desapareceu; e todo o país não é mais do que:
Uma agregação heterogénea de inactividades que se enfastiam.(...)"

Passado mais de cem anos Ponte de Lima assume-se, na integra, neste escrito que Ramalho Ortigão e Eça de Queiroz nos deixaram no livro As Farpas.
E o leitor concorda?

Quinta-feira, Janeiro 13, 2005

Irreal

Os partidos políticos e os seus líderes deixaram de ter complexos e "lavam a roupa suja" na praça pública. Não bastava as notícias a nível nacional agora também as temos localmente. O semanário Alto Minho dá-nos a conhecer nas palavras de um líder local que, o maior partido da oposição limiana é dominado por forças obscuras. Parece que a política local e regional está a transformar-se em um qualquer episódio da Guerra das Estrelas ou dos Senhores dos Anéis.
Será que a resposta para o fim desta manta obscura está numa verdadeira lista de independentes? Ou ainda podemos esperar resposta nos partidos a nível local?

Esperam-se novos episódios...

Terça-feira, Janeiro 11, 2005

Em "micro-clima" em Ponte de Lima

"...(hoje) entram nos partidos como numa associação e vão subindo na hiererquia, sem necessitarem de outros conhecimentos. O resultado é um "paradoxo": quanto mais profissionais são os políticos menos
representam os comuns eleitores. Os partidos deixam de representar ideais
fixos, antes são uma coligação temporária de interesses..."


Anthony Sampson - Who runs this place?: the anatomy of Britain in the 21st century
Ed. John Murray, 418 pg, 2004

Alguns versos do canto terceiro da "Epopeia do Homem Cósmico" de João Marcos



Sou português e vou do Algarve ao Minho
sou marinheiro e vou até Timor
de leste a oeste abrindo o meu caminho
levando a língua, a fé e o meu amor.

Eu sou Vasco da Gama, sou Cabral,
Fernão de Magalhães... sou lusitano
e levo o coração de Portugal
além de toda a terra e mar oceano.

Eu levo a minha língua, a minha lei,
as normas e o sentir do meu viver;
além, em toda a parte, espalharei
as eternas raízes do meu ser.

Sem medo, para além do bem, do mal,
abrir um novo mundo é o meu destino,
levar o Império, a Fé, levar meu Hino,
os perigos vencer, sou Portugal.

Sexta-feira, Janeiro 07, 2005

O escritor morreu...

Morreu João Marcos, 92 anos, escritor, Limiano...

Quinta-feira, Janeiro 06, 2005

Quem representa Ponte de Lima?

Depois de muita polémica a listas pelo distrito à Assembleia da República estão feitas.

Mais uma vez Ponte de Lima fica de fora. Nenhum seu filho irá fazer parte da próxima Assembleia da Republica. Neste momento os leitores estarão a perguntar-se, "mas não há um limiano que é cabeça de lista de um partido?" É verdade que sim, mas se nas últimas eleições este não conseguiu ser eleito, nestas em que o seu partido, que fazia parte do governo, foi abruptamente impossibilitado de acabar as suas obras, a sua tarefa parece um pouco hercúlea. Ponte de Lima ficou com o estigma do queijo limiano, por isso devemos todos agradecer ao então deputado, pelo mesmo partido do anterior, que actualmente é o presidente da nossa autarquia. O segundo maior concelho do distrito terá que pagar por muitos e longos anos por uma atitude que rebaixou Ponte de Lima perante o país, uma atitude populista e demagógica bem orquestrada pelo interveniente, com o único intuito de se afirmar na política local.

Ainda bem que os limianos já não dormem, assim os partidos ou os independentes também não o façam e apresentem alternativas...