Quinta-feira, Junho 25, 2009

É cultura...

Eis alguns dos gastos do município de Ponte de Lima em eventos musicais neste ano de 2009: espectáculo de música de Daniela Mercury, 64.000,00 €, espectáculo de música de Pedro Barroso, 6.500,00 €, espectáculo de música dos Deolinda, 7.250,00 €.

Mas daqui não vem o mal ao mundo. O que se pergunta é qual o valor envolvido na promoção do que por cá se “produz” a nível cultural, neste caso, a nível musical?

Existe algum incentivo à participação de grupos ou artistas, amadores mas com originais, limianos? Porque não promover esses grupos/artistas permitindo e dando as condições para que sejam eles a abrir alguns espectáculos? Porque não promover um festival de música de limianos para limianos?

Para um município com dinheiro é relativamente fácil trazer ao seu concelho grupos/artistas de, digamos, renome e no final gabar-se dos números das estatísticas. Mas isso qualquer promotor de espectáculos faz e a um pelouro da cultura pede-se muito mais do que ser apenas um mero promotor de espectáculos. A um pelouro da cultura pede-se também a promoção do que se produz a nível cultural na sua terra. Pode não dar lucro monetário mas dá com certeza outro tipo de lucro.

Não se pode ficar apenas pelas estatísticas de final do ano. Porque não criar públicos para os diversos espaços culturais existentes no concelho? A título de exemplo o teatro Diogo Bernardes deveria ter o seu público, a EXPOLIMA o seu e porque não a sala de espectáculos subaproveitada que é o antigo cinema Rio Lima o seu.

A especialização dos espaços deveria ser prática da política cultural do município tal como fazem outros concelhos, outras cidades, esta é uma prática que também cria públicos. Para espectáculos de ópera e afins por norma dever-se-ia pensar no teatro Diogo Bernardes, bandas de garagem/música popular pensar-se-ia na EXPOLIMA, festival de bandas de música porque não na sala enorme do cinema (?) Rio Lima…

O que o pelouro da cultura deveria fazer era especializar cada uma das “salas” de espectáculos, para que todas elas sejam aproveitadas e por outro lado utilizar, sempre que possível, os "cabeças de cartaz" que lá actuassem como chamariz para a promoção do que por cá se faz.

6 Opiniões dos leitores:

Anónimo disse...

Concordo e subscrevo. Conheço muita malta de grande potencial artístico em Ponte de Lima que canta em Karaokes e gostaria de opurtunidades destas. Conheço também um grupo amador de teatro do ACRA. Juntavam-se vozes e actores( e tihamos dois ingredientes para produções de musicais interessantíssimas) e o espaço: nada melhor que convidar os limianos para irem ao teatro verem os seus artistas, porque nao?
Conheço também o grupo musical Musica Profana, um misto de folclore e letras alusivas a lendas locais, com o toque do metal a temperar. A escola de concertinas... etc... E muita gente que gosta de tocar e cantar fado.

Cumprimentos, Duarte

Anónimo disse...

Ao comentador que disse "ha muita gente que gosta de tocar e cantar" e de ir ao "karaoke"...
Isto não é o Idolos. Por favor...

Anónimo disse...

Isto dos Idolos podia ser engraçado... quiçá? Possivelmente não foi bem este cenário que o primeiro comentador esboçou. Referiu que no âmbito do panorama musical existem pessoas com talento que se calhar mereciam ser ouvidas e talvez agenciadas. Existem bons artistas em Ponte de Lima, bons músicos, bons escritores, bons poetas, existem também bons empreendedores e bons desportistas. Contudo, existem também Velhos do Restelo sem visão periférica e sem vontade de acreditar no potencial das pessoas. Cultura em Ponte de Lima é garrafão, Rancho, e feiras dos cavalos, da caça, da pesca e do lazer. Cultura ou falta dela, são estátuas de carrossel pejando o território e muita trapalhada no urbanismo ( sem pareceres do Ministério da "Cultura"). Uma quinta pedagógica para os meninos de Lisboa ( a 10 km da vila). Um pavilhão Multiusos chumbado pelo ministério da "Cultura"; Falsos paradigmas de Capitais do sarrabulho e slogans falaciosos de vila mais antigas do país. Está aqui qualquer coisa estranha não acham?
Saudações, Duarte Pedro

Nuno Silva disse...

Cultura de todos e para todos.
Ponte de Lima tem uma vasta população que tem direito a assistir a um leque mais variado de espectáculos do que aquele que é oferecido actualmente. Não basta dizer que no verão tocam os Xutos e Pontapés em Ponte de Lima que isso já chega para divertir os jovens. É preciso ter consciência que Ponte de Lima tem mais potencial do que outras vilas e até cidades portuguesas onde funcionam casas das artes, da música, teatros e cinamas/sala de espectáculo com muito sucesso.
Ponte de Lima tem obrigação de permitir que os Limianos (e não só) tenham acesso a muita e muito mais variada cultura.
Nuno Silva

Anónimo disse...

O que parece incrível (e suponho que esta visão/comentários sejam de jovens como eu) é como é possível a visão dos jovens ser mais abrangente, até crítica mas construtiva, e o poder autárquico não oscultar este voxpop. Será que temos um poder exacerbado do quero, posso e mando e não dou satisfações a ninguém? Será que autarquia ouve os jovens limianos? Será que a juventude limiana é sempre do contra e não tem massa crítica para confrontar o que está mal ou como se deveria fazer para combater o que não está bem feito? A melhor resposta está aqui: os comentários falam por si e não acrescento nem mais uma palavra.

Tânia disse...

Como jovem Limiana que sou deixou aqui a pergunta: afinal o que tem feito esta autarquia ao nível cultural pelos jovens Limianos? A mim parece-me que muito pouco! Eu e o meu grupo de amigos recorremos muitas vezes a vilas e cidades vizinhas para assistir a concertos e espectáculos pois a vila Limiana nada ou muito pouco nos oferece.
Parece-me também importante aproveitar alguns espaços que se encontram inutilizados e fazer deles centros de cultura, dando oportunidade aos jovens Limianos que em vilas e cidades vizinhas muito tem sido aplaudidos pelo seu talento, está na altura de a autarquia Limiana também lhes reconhecer o mérito. A cultura deve ser multifacetada e não apenas aquilo que nos parece que vá trazer multidões para nos orgulharmos dos grandes números, a estatística não é tudo! Orgulharmos-nos dos artistas da nossa terra parece-me muito mais importante.
O mesmo acontece nas noites ao fim de semana onde os bares do centro histórico poderiam estender o seu horário de encerramento mas a câmara raramente faculta essa licença, e o que me parece é que Ponte de Lima só teria a ganhar, por um lado os jovens não correriam riscos nas estradas ao sair para cidades e vilas vizinhas para se poderem divertir e por outro porque estariam a lucrar os comerciantes de Ponte de Lima com este prolongamento do horário. O centro histórico tem-se revelado com multidões ao fim de semana e local de encontro entre grupo de amigos tanto mais jovens como mais crescidos, tem sido ponto de encontro para saraus, acho que é importante não deixar fugir esta nova era de tertúlias.E se em cidades e vilas vizinhas é permitido porque é que em Ponte de Lima não pode ser?