banda revelação de Ponte de Lima os "The Kanguru Project" concedeu uma entrevista a este blogue. Depois de abrirem os Delfins e os Xutos na Expolima a banda revela-se nas próximas linhas...
Anteriormente num post deste blog falei sobre vocês por se notar uma evolução na vossa carreira devido ao vosso aparecimento na TV. Recentemente foram convidados para abrir os Xutos e os Delfins entretanto lançaram um videoclip. Falem um pouco da vossa origem e evolução. Pedro: O projecto começou em 2007, comecei por fazer umas linhas de algumas músicas em casa e mais tarde enquanto tomava café com o Pedro Costa convidei-o para ser o guitarrista e de seguida numa viajem até Barcelona convidei o Manuel Mateus para baterista. Formamos assim um trio em que eles me iam ajudando a desenvolver a primeira demo que foi gravado pelo Daniel Moreira (Inside Four Walls, Música Profana, Ex Crustimate). Começamos a dar alguns concertos por Ponte de Lima e aí falei com o Nelson Fernandes para fazer a captação e produção do actual álbum Knock Out. Actualmente a formação da banda mudou o Nelson Fernandes passou a ser o baterista(Música Profana, The Kanguru Project) e o Nuno Silva (Dream Youth, The Kanguru Project) como guitarrista. Demos algumas entrevistas em rádios de Coimbra, Ponte de lima, Porto, Braga, depois foi o nosso aparecimento no Porto Canal. Quanto ao festival, foi sempre bom para nós tocar na nossa terra com um novo público e numeroso mas também já tocamos noutros festivais e com bandas muito boas e conhecidas num nível mais
underground que é um pouco mais a nossa cena musical, se bem que estamos a fazer por nos definir um pouco mais musicalmente, somos 3 com influências bastante distintas. Andamos também a negociar com estúdios e já tivemos algumas propostas de uma editora
major mas na altura não achamos que era o momento certo para nos prendermos a alguém e então fazemos nós de manager e tratamos de tudo o que nos simplificou o trabalho e deu para cometer erros saudáveis para aprendermos.
O videoclip foi uma experiência bastante positiva para nós e é um bom meio de divulgação, basta procurarem no
youtube The Kanguru Project e ele aparece para lá ou então vejam no hi5 ou myspace da banda.
Depois da persistência que tiveram sentiram alguma satisfação e responsabilidade em ter conseguido duas actuações no festival Expolima 09? Pedro: Posso dizer que senti satisfação no momento em que me confirmaram que ia tocar ao festival, depois, no momento em que estava a tocar fiquei um pouco surpreendido, pois as pessoas estavam mais atentas ao outro palco mesmo estando vazio. Porém isso não me afectou, já conseguimos atrair alguns fãs da nossa música o que se pôde ver com clareza na malta jovem de Ponte de Lima lá à frente a apoiar-nos. Enquanto outros se preocupavam em assobiar para os roadies dos Xutos a fazer os testes de luz, outros estavam a cantar connosco em frente ao nosso palco. Quanto à responsabilidade, também me fizeram uma pergunta do género para a rádio GEICE se não me engano, sinto mais responsabilidade quando são apenas os Kanguru a tocar sozinhos. Temos uma maior responsabilidade porque nesse caso somos a atenção principal, de qualquer forma quando estou atrás do micro muitas vezes nem estou a ver quem está à minha frente, estou concentrado em sentir a música, por isso mesmo que me quisesse preocupar ou sentir responsabilidade não consigo.
Nuno: Senti a responsabilidade antes de entrar em palco, claro que depois de começar a tocar é um concerto como outro qualquer, apenas a satisfação ser maior por haver mais público e por termos a oportunidade de mostrar a nossa música a um maior número de pessoas.
Ficou apenas um pequeno amargo porque apesar de as datas dos concertos terem sito tratadas já em Março, apenas voltaram a dar importância ao assunto na semana antes dos concertos. Teria sido importante para nós ter podido definir mais alguns pormenores em relação às condições do concerto, para, por exemplo, ter melhor som, assim como seria importante para nós que o nome da nossa banda constasse no cartaz, mesmo que a letras minúsculas, o que não foi o caso e poderia ter ajudado a dar-nos alguma notoriedade.
Apesar disso foi reconfortante que no final dos concertos houvesse quem viesse falar connosco e nos desse o seu apoio, assim como não posso esquecer ouvir as vozes das pessoas a cantar connosco e ver cabeças e abanar e os pés a bater ao som da nossa música.
Como se desenrola o processo da composição dos temas?Pedro: É o chamado trabalho de casa. Levamos ideias ou as músicas já feitas de casa e depois, na casa do Nelson, gravamos e completamos de forma a soar a música.
Nuno: O Pedro é o membro mais antigo da banda e o único dos fundadores, por isso a influência dele está patente em grande parte das músicas, embora pouco a pouco os TKP se estejam a tornar cada vez mais na junção dos três.
Na vossa opinião como se encontra a cena musical em Ponte de Lima? Pedro: Musicalmente falando acho que está boa, basta ouvir os temas que as bandas têm composto, dá para ver que existem músicos criativos com bom gosto e que poderão chegar longe. Penso que a motivação de muitos passou pelos Kamikazes. Falando por mim, quando tinha os meus 10, 12 anos só pensava em ir aos concertos deles quando actuavam cá por Ponte de Lima, foi uma grande motivação. Nesse aspecto também foi importante a participação do Peão (ex Kamikazes, ex Inside Four Walls) numa música dos Inside Four Walls comigo e o irmão dele Xico (Inside Four Walls, ex Winter Cry) que é o baterista da banda. Outra coisa boa é o facto de sermos todos amigos e nos ajudarmos uns aos outros quando precisamos de material ou outra coisa qualquer, até temos o nosso canto na Internet, um fórum em que falamos de tudo e temos lá um espaço para as bandas limianas.
Quanto ao público em Ponte de Lima já foi pior, mas já conseguimos reunir alguns fãs e há um grupo de jovens que nos tem feito grandes elogias e isso dá-nos vontade de continuar a tocar. Temos também um grupo de amigos que não falham um concerto, seguem-nos por Portugal todo até Espanha (Vigo) que foi o único sítio fora de Portugal onde já tocamos.
Quanto às outras pessoas cá de Ponte de Lima e quando digo outras pessoas, acho que estou a ser bastante claro, a ajuda não é a melhor. Aliás se bem me lembro começaram a ligar-nos mais após se começar a falar que uma banda de Ponte de Lima começou a dar fruto e aí já passou a ser "a banda de Ponte de Lima" pois antes éramos uns zé ninguém.
Por um lado compreendo que não se queira apostar numa coisa que não se sabe se irá resultar, mas por outra há que investir nas novas ideias, juntar ideias antigas com novas pois acho que só assim se consegue evoluir. Mas é o que há e nos kanguru tentamos tirar o maior proveito das possibilidades que nos dão.
Nuno: Os Kamikazes sem dúvida alguma que influenciaram muitas pessoas em Ponte de Lima, e não só músicos. Foram uma banda que conseguiu tocar em concertos com bastante importância na cena do metal nacional e isso deu-lhes algum do reconhecimento devido. Para mim sempre foram um motivo de orgulho para Ponte de Lima por tudo que conseguiram e pela música que fizeram. No concerto em que abrimos para os Xutos e Pontapés referi que esperava que o facto de nós estarmos ali desse motivação a outros para se juntarem e formarem bandas e lutarem pelo mesmo que nós, tal e qual os Kamikazes me influenciaram e motivaram para tudo aquilo que luto para alcançar hoje na música.
Apesar de tudo que os Kamikazes conseguiram continuo a sentir que, para algumas pessoas em Ponte de Lima, eles foram um peso que os limianos (principalmente a Câmara) teve de carregar pois aparentemente não serviram em nada para divulgar Ponte de Lima. Desenganem-se porque várias pessoas a quem eu digo que sou de Ponte de Lima rapidamente me falam e perguntam pelos (infelizmente) extintos kamikazes.
Em Ponte de Lima existem excelentes músicos tanto a nível técnico como a nível criativo, exemplo disso são algumas bandas que já existem como Música Profana e Inside Four Walls e outras que possam vir ainda a surgir como Dream Youth (assim o espero…). Sem dúvida que com as devidas oportunidades a cena musical de Ponte de Lima pode tornar-se bastante (re)conhecida.
Uma pequena curiosidade, porquê The Kanguru Project? Pedro: Porque tmn project ou vodafone project não ficava bem (risos). Estou a brincar. Fiz uma lista com vários nomes que me iam aparecendo, alguns inventava-os eu, foi o caso do que acabou por ficar. Dessa lista este foi o mais votado e o mais sonante. A ideia do nome surgiu na fusão de dois nomes.
Pelo que ouvi noutra entrevista vossa, as letras falam sobre histórias que experiências pessoais, algumas delas falam sobre Ponte de Lima?Pedro: Algumas falam de experiências vividas em Ponte de Lima, mas são coisas que só eu vou perceber porque fui eu que presenciei. Não é uma coisa tão clara como Música Profana em que as letras já falam de lendas, mitos, etc.
Nuno: Algumas letras, escritas por amigos, falam sobre temas que eles próprios escolheram abordar, nós podemos ou não gostar da letra e se gostarmos tentamos adaptar a uma música que achamos apropriada. Há também casos em que pedimos a alguém para abordar uma certa situação ou experiência específica, ou mesmo uma letra para uma certa música específica. Embora fosse natural sermos nós a escrever as letras, e apesar de não descartarmos e ideia e até já termos escrito para outras bandas, não temos por regra escrever as letras para TKP.