A Câmara Municipal tem toda a razão em
manifestar "total desagrado" por a publicação do Eixo Atlântico
"O Caminho que conduz a mais destinos" "
...não traça(r) a realidade dos Caminhos de Peregrinação em território português e é mesmo enganador para os Peregrinos, atendendo que não refere o principal e mais central itinerário de peregrinação, conhecido mundialmente por Caminho Central, que corresponde ao eixo Porto - Vilarinho - S. Pedro de Rates - Barcelos - Ponte de Lima - Rubiães (Paredes de Coura) - Valença do Minho."
Idêntica manifestação se espera da Câmara Municipal bem como da Assembleia Municipal pela omissão de António Feijó na
Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI publicada no passado mês de Dezembro pela Porto Editora.
Para saber mais sobre António Feijó aconselho a leitura da
Infopédia (também da Porto Editora):
Nome: António Joaquim de Castro Feijó
Nascimento: 1-6-1859, Ponte de Lima
Morte: 20-6-1917, Estocolmo, Suécia
Poeta e diplomata português, António Joaquim de Castro Feijó nasceu 1 de Juhno de 1859, em Ponte de Lima, e morreu a 21 de Junho de 1917, em Estocolmo. Deixou uma obra reveladora de tendências diversas, entre o Parnasianismo, o Romantismo, o Decadentismo e o Simbolismo, e influências eclécticas, que vão de Leconte de Lisle, Théodore de Banville e Gautier a Vítor Hugo, de Leopardi a Baudelaire, de Guerra Junqueiro a João Penha. Em 1883, forma-se em Direito na Universidade de Coimbra, onde tem por companheiros Luís de Magalhães, Manuel da Silva Gaio e Luís de Castro Osório, com quem viria a fundar, em 1880, a Revista Científica e Literária de Coimbra. De finais dos anos 70 até início da década de 90, colaborará em vários periódicos, como a Revista Literária do Porto , Novidades , Revista de Coimbra, Museu Ilustrado, O Instituto Arte .
Em 1882, publica o seu primeiro volume de poesias, Transfigurações , marcadas pela temática filosófica e pelo tom épico, que revelam um pessimismo e uma acusação nítida das imperfeições morais e sociais que o rodeiam. Seguem-se Líricas e Bucólicas (1884) e À Janela do Ocidente (1885), reveladoras de um lirismo mais depurado. Em 1886, ingressa na carreira diplomática, sendo primeiro cônsul no Brasil e depois ministro de Portugal em Estocolmo. Aí viria a desposar uma jovem sueca, Mercedes Lewin, cuja morte prematura influenciaria uma certa temática fúnebre patente na sua obra.
No Cancioneiro Chinês (1890), colecção de poesias adaptadas a partir de uma versão francesa, revela o gosto pelo exotismo orientalista. Em Bailatas , obra publicada em 1907 sob o pseudónimo de Inácio de Abreu e Lima, parece ter a intenção de parodiar o Decadentismo, mas a verdade é que muitas dessas poesias atingem consonância com a própria sensibilidade simbolista. As suas últimas obras, particularmente a colectânea póstuma Sol de Inverno , editada em 1922, espelham o lirismo sóbrio, o simbolismo depurado, os motivos melancólicos, outonais, e os temas da saudade e da morte, que são algumas das características da obra de António Feijó.
Bibliografia: Transfigurações, 1882 (poesias); Líricas e Bucólicas, 1883 (poesias); À Janela do Ocidente, 1885 (poesias); Cancioneiro Chinês, 1890 (poesias); Ilha dos Amores, 1894 (poesias), Bailatas, 1907 (poesias); Sol de Inverno, 1922 (poesias póstumas); Novas Bailatas, 1926 (poesias póstumas)